Queria ver se poderia ser atriz ou se tinha a vocação para isso. No fim das contas, descobri que não tenho vocação para a dramaturgia – de ter corpo como obra de arte. Meu corpo não é obra e com certeza minhas obras serão todas terceirizadas para outro plano que não seja eu. Este é o meu atestado de timidez.

Não que eu não possa ser atriz, mas caso for, terei que me esforçar o triplo do que uma pessoa pré-disposta a ser o centro das atenções.

Foi bom eu ter feito este curso para descobrir algumas coisas… Acho que a mais importante delas, em um espaço de exposição,onde buscamos nos desprender de nós próprios para alcançarmos um estado neutro e limpo de qualquer angustia que possa nos caracterizar, e não ao personagem proposto pela peça, é que todos os seres humanos têm limitações: não gostamos de ter limitações e geralmente não enxergamos quando as temos.

Para mim, não enxergar não passa de um mecanismo de auto-defesa do ser humano para não sair da sua zona de conforto. Não queremos enxergar por que é muito mais fácil e requer menos esforço. Requer menos batalha com o ego ou com as pessoas ao nosso redor. Requer apenas que façamos as coisas do nosso jeito, como sempre aprendemos desde a infância e como sempre fomos reconhecidos.

Difícil e admirável, para mim, são aqueles que enxergam a limitação e apesar de se angustiarem em um primeiro momento, logo em seguida ou quem sabe não tão logo assim mas ainda assim buscam alternativas ou meios para tentarem ser a melhor versão de si mesmos, dando tchau para seus jeitos estranhos – aqueles que formamos sem querer ao longo da vida – e dando boas-vindas para todo tipo de comportamento que os possa levar adiante, para um mundo mais gratificante e real.

Outra coisa que aprendi é que existem três tipos de realidade para cada pessoa:

– A realidade das coisas como são;

– A realidade das coisas como acreditamos ser;

– A realidade das coisas como o outro acredita ser;

O mundo precisa de consciência do que é como é. Isso só é possível através da técnica e da consciência da realidade. A técnica por que ela guia o jeito neutro de fazer as coisas e provavelmente, o jeito ‘mais correto’ de fazê-las.

A consciência da realidade por que ela que indica se estamos seguindo a técnica. Esta consciência é extremamente difícil…